Aquela sensação de queimação que aparece depois das refeições, muitas vezes acompanhada de azia, é um dos sintomas mais comuns relatados nos consultórios de gastroenterologia. O refluxo gastroesofágico pode até parecer algo simples ou passageiro, mas quando se torna frequente precisa de atenção especial. Isso porque, além de afetar diretamente a qualidade de vida, pode trazer complicações sérias se não tratado da forma correta.
O refluxo acontece quando o conteúdo do estômago, principalmente o ácido gástrico, retorna em direção ao esôfago. Esse movimento, que deveria ser bloqueado por uma válvula chamada esfíncter esofágico inferior, provoca a irritação da mucosa e causa sintomas como queimação no peito, gosto amargo na boca, tosse noturna e até rouquidão matinal. Em situações mais graves, o refluxo pode desencadear dor ao engolir ou sensação de que o alimento “prende” no esôfago.
Diversos fatores podem contribuir para o surgimento do refluxo. Entre os mais comuns estão o excesso de peso, a alimentação rica em frituras e alimentos ultraprocessados, o consumo frequente de café, álcool e cigarro, além do estresse e da ansiedade, que interferem diretamente no sistema digestivo. O uso frequente de anti-inflamatórios também pode agravar o problema.
O diagnóstico do refluxo geralmente começa com a consulta médica detalhada, em que o especialista avalia os sintomas e os hábitos de vida do paciente. Dependendo da situação, exames como a endoscopia digestiva alta podem ser solicitados para investigar lesões no esôfago, enquanto a pHmetria esofágica mede a quantidade de ácido que sobe para essa região.
Embora seja uma condição bastante comum, o refluxo não deve ser ignorado. Quando negligenciado, pode provocar inflamações crônicas chamadas esofagites, aumentar o risco de estreitamento do esôfago e, em alguns casos, evoluir para uma condição conhecida como esôfago de Barrett, que está associada ao desenvolvimento de câncer esofágico.
A boa notícia é que existem formas eficazes de tratamento. O primeiro passo é mudar hábitos de vida: perder peso, evitar refeições muito grandes à noite, não deitar logo após comer e reduzir o consumo de alimentos que estimulam a produção de ácido. Em muitos casos, o uso de medicamentos, como os inibidores de bomba de prótons, ajuda a controlar os sintomas e proteger a mucosa do esôfago. Para situações mais graves ou quando não há resposta ao tratamento clínico, a cirurgia antirrefluxo pode ser considerada.
Cuidar do refluxo é, acima de tudo, cuidar da qualidade de vida e da saúde a longo prazo. Se os sintomas de azia e queimação são frequentes no seu dia a dia, não os trate apenas como algo comum ou passageiro. Procurar um gastroenterologista é o melhor caminho para identificar a causa e iniciar um tratamento adequado.
👉 A prevenção e o diagnóstico precoce fazem toda a diferença.
